A chinesa COSCO Shipping Bulk deu um passo para borrar as fronteiras tradicionais entre o transporte de granéis sólidos e contêineres ao encomendar uma série de navios graneleiros newcastlemax com capacidade para cargas conteinerizadas. Paralelamente, o grupo também anunciou uma ampla rodada de encomendas de porta-contêineres, com 18 novos navios avaliados em cerca de US$ 2,7 bilhões.

A CSSC Qingdao Beihai Shipbuilding ficará responsável pela construção de três graneleiros de 210.000 toneladas de porte bruto (dwt), com projeto preparado para uso futuro de metanol e amônia e capacidade para transportar contêineres junto com carga a granel e carga geral.

Os navios foram projetados pelo Shanghai Merchant Ship Design and Research Institute (SDARI) e serão avaliados pela China Classification Society. Com quase 300 metros de comprimento e boca de 50 metros, as embarcações mantêm as dimensões típicas de um newcastlemax, ao mesmo tempo em que incorporam a possibilidade de embarque de contêineres em um segmento historicamente dedicado exclusivamente ao transporte de granéis.

O contrato foi assinado pela COSCO Shipping Bulk em conjunto com a CSSC Beihai Shipbuilding, a CSSC Trading e a Zheshang Financial Leasing, evidenciando a dimensão e o respaldo financeiro do projeto.

O novo desenho representa uma evolução da plataforma de 210.000 dwt, tradicionalmente um dos principais produtos da Beihai Shipbuilding, estaleiro que construiu uma posição dominante no mercado global de newcastlemax e segue liderando as encomendas desse tipo de navio. Recentemente, a empresa também garantiu novos contratos com o Seacon Shipping Group, reforçando sua presença nesse segmento.

Para a COSCO, o acordo integra uma estratégia mais ampla de expansão e modernização da frota de newcastlemax. O grupo também tem sido apontado como operador final de quatro novas unidades de 210.000 dwt encomendadas ao estaleiro Dalian Shipbuilding Industry Co., configurando a segunda onda de encomendas desse tipo em 2025. No início do ano, a companhia já havia aprovado pedidos de dez navios semelhantes na COSCO Shipping Heavy Industry Zhoushan e na CSSC Qingdao Beihai, com entregas previstas até o fim de 2028.

Embora a incorporação de contêineres em navios graneleiros pudesse parecer, no passado, uma solução pontual, o conceito tem precedentes claros. Durante as distorções nos mercados de frete na pandemia, cargas migraram entre diferentes classes de embarcações de forma incomum. Contêineres passaram a ser transportados em graneleiros, toras de madeira em newcastlemax, e até veículos foram embarcados em navios destinados ao transporte de celulose.

Em 2022, a Star Bulk foi uma das primeiras armadoras de navios capesize a obter aprovação de classe para transportar contêineres, enquanto a Swire Bulk e outras empresas também passaram a movimentar caixas em navios de granéis sólidos. Com capacidade restrita e mercados de afretamento pressionados, armadores adaptaram planos de estivagem para capturar cargas mais rentáveis — uma lição de flexibilidade que agora a COSCO parece incorporar diretamente em seus novos projetos.

A COSCO, maior armadora do mundo, tem histórico de cruzar segmentos tradicionais. Em 2022, por exemplo, passou a transportar automóveis em navios de celulose após desenvolver estruturas dobráveis que permitem o empilhamento de veículos em embarcações não convencionais para esse tipo de carga.

Além dos graneleiros, a COSCO confirmou uma grande rodada de encomendas de porta-contêineres, com 18 novas unidades avaliadas em cerca de US$ 2,7 bilhões, ampliando tanto a escala quanto as opções de combustível de sua frota.

Em comunicados ao mercado, a empresa informou ter encomendado 12 porta-contêineres de 18.000 TEUs com propulsão dual fuel a GNL no estaleiro Jiangnan, do grupo CSSC, além de seis navios de 3.000 TEUs com propulsão convencional no estaleiro COSCO Zhoushan.

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Os 12 navios preparados para GNL têm preço unitário ligeiramente inferior a 1,4 bilhão de yuans, cerca de US$ 200,75 milhões por embarcação, totalizando um contrato de 16,8 bilhões de yuans. As entregas estão programadas para 2028 e 2029.

A encomenda marca a primeira incursão da COSCO no uso de GNL como combustível alternativo. Até agora, o grupo vinha priorizando projetos com metanol, além da propulsão convencional.